FPV - Federação Paulista de VolleyBall

Declaração de amor

17/10/2017



Eu era muito novinha quando nos conhecemos. Amigo de longa data do meu pai e em um relacionamento sério com minha irmã, você vivia rodeando a minha família. Todos me diziam o quanto eu era perfeita para você. Resolvi te dar uma chance. Foram anos de muita alegria, mas também de muito sofrimento.

Sacrifiquei o final da minha infância e começo da minha adolescência por você. Na verdade, não era sacrifício, pois quando a gente ama, essa entrega de corpo e alma é natural. Eu vivia 24 horas por você. Sete dias por semana. E mesmo quando não era para estarmos juntos, eu dava um jeito de te encontrar.

Em nossos anos de convivência conquistamos tanto. Triunfos com os quais muitos ainda sonham e nunca irão alcançar. Mas nós conseguimos. Nossas vitórias eram constantes e nosso relacionamento era de tanto sucesso que nossa história foi contada em jornais e em uma famosa revista da época. Por causa de você, eu me sentia importante, completa.

Na verdade, você foi durante esses anos o que me definia. As pessoas não conseguiam pensar em mim sem pensar em você. Até hoje, amigos me perguntam se ainda estamos juntos.

Mas estar ao seu lado também era difícil, doloroso. Não uma dor física, pois nesses primeiros anos você nunca me machucou. Mas crescer e amadurecer com você era muito pesaroso. A ansiedade, a expectativa e os muitos erros cometidos doíam muito. Toda vez que algo não ia bem por minha causa eram lágrimas e lágrimas derramadas. Sem falar nas pessoas que interferiam em nosso relacionamento sob a (falsa) pretensão de nos ajudar. Ao longo do caminho muitos tentaram fazer com que eu desistisse de você.  Mas eu persistia, pois era feliz ao seu lado.

Até que de repente tudo mudou. Em uma viagem que fizemos eu acabei adoecendo e aquilo me fez reavaliar o meu futuro. E muito serenamente descobri que, apesar de todo o amor que eu sentia por você, era hora de nos separarmos. Essa decisão foi tomada com muita tranquilidade e certeza, mas colocá-la em prática não foi tão fácil.

Nosso relacionamento foi tão intenso que, quando tudo acabou, eu não queria mais nem olhar para você. Achei que o único modo de te esquecer era te arrancar completamente da minha vida. Não falava sobre você com as outras pessoas, nem queria te ver pela frente. Fugia sempre que podia. A necessidade de tirar você da minha vida era tanta que cheguei até a te odiar.

Mas como o tempo sempre cura todas as feridas, acabei por te esquecer. Cheguei a ficar muitos anos sem pensar em você e na importância que você tinha na minha vida. Encontrei outros amores e com eles fui também muito feliz.

Conhecendo o amor e as peças que ele nos prega, não é de espantar que depois de tanto tempo você foi lentamente voltando aos meus pensamentos e resolvi te reencontrar.
Eu só queria estar um pouco com você. Sem o compromisso de antes, só com a diversão, com o prazer do nosso relacionamento. O problema foi eu não ter me preparado para esse reencontro.

Tudo não podia ter sido mais desastroso. Foram semanas de expectativa até nos reencontramos. A ansiedade foi enorme. Mas você não me perdoou por esses anos de separação e me machucou. Me feriu.

Eu, tola, achava que te conhecia tão bem e que ao nos vermos novamente tudo seria como antes. Eu não era mais aquela adolescente e você me cobrou por isso. Você tinha mudado e eu sabia. Mas algo dentro de mim me dizia que eu e você poderíamos retomar o que vivemos no passado. Como fui inocente. A dor foi enorme e tempo para que eu me recuperasse desse primeiro reencontro foi longo.

Somente após um ano de muitas lágrimas e sofrimento é que consegui te ver novamente. Dessa vez foi diferente. Me preparei muito para esse momento. Você reconheceu meu esforço e resolveu me dar outra chance. Como eu queria, nada sério, só diversão.

Não nego que imediatamente após nos separarmos desses nossos novos encontros dói muito. Chego a não dormir a noite por sua causa. Mas no fundo está valendo a pena.

Nos últimos meses temos nos encontrado duas vezes por semana e já sinto que nosso relacionamento está entrando nos eixos. É claro que muita coisa tem que ser concertada ainda e a minha idade pesa. Vejo as menininhas que gostam de você e não posso negar que sinto um pouco de inveja do que elas podem te oferecer. A minha experiência e o fato de eu ter crescido com você e te conhecer tão bem contam pontos a meu favor. Mas a minha hora já passou.

Não me iludo e tenho consciência que não temos um futuro juntos. Nem é isso que eu quero. Mas vou aproveitar todos os nossos momentos enquanto eles forem possíveis.Todas essas alegrias e a maneira como você faz eu me sentir bem comigo mesma têm sido um novo ânimo na minha vida. Você faz com que eu seja melhor a cada dia e eu quero ser melhor por você.

Obrigada por tudo.

Eu te amo, Voleibol!

Thaluana Marum

(Thaluana começou aos nove anos na escolinha de vôlei do E.C. Banespa. Dos 10 aos 14 jogou pelo São Caetano Esporte Clube, tendo se sagrado campeã em todos os anos. Tentou retornar ao voleibol aos 39 anos, mas rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho e teve que passar por cirurgia e um ano de recuperação. Hoje treina com o time Máster da S. E. Palmeiras)


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